Você se sente representado?

A questão da representatividade está em pauta no mundo todo.

Em uma participação do rapper MV Bill no programa do Sérgio Groisman, TV Globo, ele falou sobre a realidade social de famílias pobres e como estas veem a educação, quais são as expectativas dessas pessoas.

O jovem negro que mora em favela não concorre em igualdade com a sociedade, ele precisa trabalhar, ajudando na alimentação da família. Esta é a realidade social.

Então ele fala sobre a representatividade:

Onde está a diversidade aqui na plateia?

Nos EUA há um movimento dos atores asiáticos também falando sobre a questão da representatividade.

A próxima temporada de malhação na TV Globo contará com núcleos orientais e negros. Isso é um grande passo. No mundo todo estas questões estão vindo fortemente à tona.

Como somos um Coletivo de atores orientais, falarei sobre isso:
Há algumas semanas o canal Yo Ban Boo lançou um ótimo vídeo falando a respeito, sobre o avanço de se colocar atores orientais nas produções culturais.

Porque é importante para as pessoas com os mesmos traços asiáticos verem pessoas iguais a elas. Assim é com todas as minorias, não só com os asiáticos. Todos fazem parte da sociedade, da cultura, da economia de um país.

O que mais me chamou a atenção no vídeo, foi quando se falou que sim, é um grande passo contar com atores de etnias diferentes. Mas não só isso. Tão importante quanto, é a maneira como estes são representados.

Já recusei muitos trabalhos por perceber que eram estereotipados, como também já fui recusada em muitos trabalhos que adoraria ter feito.
Quando se trabalha com um veículo de massa considero fundamental a noção de que aquilo que você representa não afeta somente a você, mas a todos que de alguma forma identificam-se com a sua etnia ou admiram-na de alguma forma.

Na contramão do caminho para a representatividade há canais de youtubers que permanecem querendo atingir uma maioria que não se importa com esse tipo de conceito.
Parece que funciona assim: Eu estou bem na fita, sou branco, youtuber, famoso, então, danem-se os que não são.

Pior: Há uma multidão de seguidores. Isso é o mais chocante.
Penso: Isso acrescenta alguma coisa? É engraçado? Por isso as pessoas seguem?

Alguns são, outros absolutamente não. É o caso de duas garotas que resolveram fazer um vídeo sobre doces japoneses. Senti vergonha alheia. E não são nada engraçadas. É preciso talento para ser engraçado. Em determinado momento, elas simulam vômito ao experimentar os doces. Sim, dá vontade de vomitar. Não pelos doces, mas por elas. E a pergunta é: Para que serve um vídeo assim?
Acho que o simples bom senso seria um parâmetro para elas.

Agora, cá entre nós, sei que o mundo está politicamente correto demais, mas zoar com uma língua (no caso a japonesa), por ser muito diferente, é bacana? Isso foi feito por outro jovem youtuber.

Não, não é. Vamos fazer o contrário: Imagine que o alvo de gozação fossem essas pessoas que zoaram e aqueles que curtiram e seguiram. Seria engraçado?
Quando o alvo é você, é engraçado?
Não, não é. Nunca acho engraçado nada que precise “acabar” com alguém ou um aspecto de uma cultura para arrancar views, curtidas ou simplesmente fazer rir. Acho ridículo e mais, desrespeitoso.

Justamente por terem seguidores acredito que essas pessoas deveriam estudar mais, desenvolver mais a empatia, a inteligência, a perspicácia para, como influenciadores que pretendem ser, pelo menos, exercê-lo de uma forma salutar.

Afinal, se surgem camadas da população que se levantam em prol da diversidade e há um apelo mundial para que isso ocorra, é porque o fluxo do inconsciente coletivo é forte o suficiente para que isso chegue à consciência. O Coletivo Oriente-se, assim como outros, insere-se nesse grande movimento, que vem sendo fomentado lá atrás e há tempos e que encontra agora ressonância e significado, porque faz parte de algo maior, da conscientização de que não há sentido em haver qualquer discriminação em relação às pessoas, daí o fluxo do movimento pela igualdade de direitos, pela diversidade étnica, social, cultural e de gênero.

Não nos basta ser apresentados, e sim, bem representados!
Todos somos da mesma espécie, seres humanos! Nascemos, vivemos e morremos. No fim de tudo não há a menor diferenciação.

Por Cristina Sano – atriz e roteirista

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